sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Realidade.

Após horas de conversas e explicações Carlos olhou nos olhos de seu amigo indignado, não com seu amigo, mas com ele mesmo. Carlos estava com raiva, enfurecido, se sentido roubado. Na verdade fora roubado, na verdade, sofreu de estelionato, lhe extirparam o coração ainda pulsante, o viu pulsar nas mãos da diva meliante até o momento do último pulso de seu órgão que mais trabalhou desde que nasceu.

A raiva, entretanto, não residia no fato do roubo, mas do estelionato. O coração ele daria, deu na verdade, mas não para ser esmagado como foi. Infelizmente, olhando para seu amigo, que não precisou dizer se quer uma palavra, ele sabia que não foi esmagado, ele sabia que o culpado era ele, não, o culpado foi sua expectativa, sua imaginação, idealização.

Carlos estava perdido em meio à raiva de ter perdido seu coração, de ter se tornado um ser incompleto, pior, estava com raiva de não conseguir viver sem seu coração, ou pelo menos, tê-lo novamente em seu peito, mesmo que não pulsante por tempo indeterminado.

O silêncio entre os amigos já durava alguns minutos, Carlos vivia a angustiante realidade de ter todas as perguntas certas para se chegar à solução, o problema, O problema, é que ele sabia todas as resposta, ingrata realidade. Carlos estava desejando ser ignorante, perguntar e aprender, mas saber de tudo, de todas as respostas é muito cruel. Saber que seu amigo esta ali somente para ele sentir que pode fazer uma pergunta é seu consolo, doloroso consolo quando não se precisa perguntar.

Carlos, resignado, sem coração, cheio de raiva, detentor de todas as respostas, confuso e impotente frente à situação, conseguiu se sentir ainda pior no momento em que olhou para seu amigo e se sentiu desprotegido, saber que seu amigo não lhe pode dar as respostas que já sabe, foi a gota d’água. Carlos abaixou a cabeça, pensativo como de costume, e sabia a resposta para esta pergunta também, triste realidade. Boa noite meu amigo, obrigado pela companhia. O amigo, triste, sabia, nada mudara.

domingo, 19 de outubro de 2008

Desejar

Desejo teu sangue, quente.
Que as horas não me perturbem mais quando ele estiver frio em minhas mãos.
Desejo ouvi-la gritar, enfurecida.
Teu sangue pode não ser suficiente, já desejo sua alma com janelas e cortinas Lâncome.
Eu posso ver através da tua armadura minha Joana e te desejo.


P.S.: Os adivinhos romanos usavam “considerare” para o ato de decifrar o futuro por meio das estrelas. Desiderare era o verbo para as pessoas que, desalentadas por sucessivas previsões frustradas, não se amparavam nem mais na leitura das estrelas, desistiam de especular sobre o futuro. Desiderare é “desistir das estrelas”.

--KJ

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

República

- Rubia?
- Sim.
- Nada não ele diz, talvez esteja apaixonado por você ele pensa, queria te dizer isso, mas não rola.
- Eu estou indo no supermercado com a Malu, você quer que eu traga algo? Ela responde olhando um pouco para o lado e evitando os olhos dele. Normalmente ela não faz isso ao falar com as pessoas, mas ele sempre a olha como se não visse ela há anos e eles se vêem praticamente todo dia, ela sentia um desconforto e quase sempre ou segurava a mão da Malu ou a beijava ou fazia algum comentário esdrúxulo sobre alguma gostosa, porque quando agente fala assim elas não são pessoas, não são mulheres, são só umas gostosas, deve ser bem ruim ser uma gostosa se você não é burra e superficial ela pensa. Rúbia sempre se perde em suas divagações, também gosta disso, passar bem rápido na frente de vários lugares diferentes nos impede de querer entrar.
- Vocês vão fazer alguma coisa hoje à noite? A Lúcia ligou, esqueci de avisar, é aniversário dela hoje, elas vão naquele bar GLS que agente foi semana passada, sabe? Ele pergunta para mudar de assunto e não ter que responder a pergunta de Rúbia.
- Nossa eu a-do-rei lá, vamos, vamos? A Malu interrompe usando sua voz alta e estridente. Eles não se importam, ela sempre é muito feminina e eles entendem que ela demonstra afetação como que para se lembrar, para se afirmar. É bem chato, mas eles não se importam.
- Você é afim de ir? Rúbia pergunta pra ele, segura a mão da Malu e coloca a outra mão na porta, saindo.
- Acho que eu vou sim ele responde. Ele já desistiu de não ir aonde Rúbia estará, agora ele sabe que pode abrir mão de quase tudo, de tentar, de mudar de idéia, de desapaixonar-se, mas ele ainda não consegue abrir mão da companhia dela, ele ainda pertence aonde ela está. Ele gostaria de não morar com elas, sempre soube que essa história de república com mais do que um sexo era uma furada, sempre soube.
--KJ

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Achados e Perdidos

Me perdi um pouco esses dias, pior que era um pedaço importante saca? Não sei dizer de onde ele caiu, foi um troço qualquer daqui de dentro, mas caso alguém o encontre nem se preocupe, pode ficar...
Tava dormindo demais, acordava, comia e voltava a dormir, até fazia umas coisas entre isso, mas nem vale à pena contar.
Não é que agora esteja melhor, é que agora tem essa lacuna, eu até tinha uma idéia do que colocar no lugar dela, não coube.
--KJ

Platônico

As vezes me pego pensando em você quando acordo, imagino como seria acordar ao seu lado, olhar você ainda dormindo, e beijar sua testa sem te acordar. Depois te esqueço, lembro só bem depois, quando estou no banho somente, me preparando para ir trabalhar ainda, imagino como seria terminar de me arrumar e te encontrar à mesa matutina para lhe dar bom dia, contar meu sonho e saber dos seus, beijar-te novamente e sair de casa.

No caminho, com o som do carro ligado me desligo do engarrafamento, a música que toca faz-me lembrar de ti, e imagino o que esta fazendo em casa, será que esta se arrumando ainda? Qual roupa será que esta, e abre o semáforo. Só bem depois me pego pensando em você, no próximo sinaleiro somente, quando vejo uma loira escultural de 1,80m atravessando a rua, e lembro dos seus negros cabelos, sua estatura baixa, nossa. Depois só lembro de você quando uma senhora atravessa a rua, de cabelos grisalhos, ela tinha brincos iguais aos seus, iguais ao que você estaria usando em uma noitada curitibana comigo.

Chego ao trabalho para mais um dia, pego a pilha de papeis que tenho que analisar, levo até a mesa e ligo o automático até a hora do almoço, vou para a lanchonete perto do trabalho e enquanto peço meu sanduíche favorito um moleque de uns 10 anos pede um sanduíche vegetariano com maionese extra, impossível segurar meus pensamentos, eles me levam para você imediatamente, e imagino como seria bom dividir uma mesa de almoço com você, conversar sobre tudo um pouco e sobre nada, muito, até a hora de voltar ao trabalho.

Termino o restante do expediente como comecei, lembrando como seria chegar em casa e te encontrar carinhosa a me esperar, com um boa noite acolhedor e um beijo sedutor. Pego o meu carro no estacionamento para voltar para casa e nem penso mais em você, mas me pego lembrando de ti quando passo na frente da locadora e vejo um cartaz de uma comédia romântica, daquelas que você gosta de assistir e eu gosto de ver ao seu lado abraçado depois do jantar.

Logo chego em casa para jantar sozinho, assistir o JN sozinho, e nem pensei em você durante o dia, só agora, quando me preparo para dormir, penso em como seria bom pelo menos sonhar com você, pelo menos assim, estaria com você por toda a noite.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Um pouquinho...

Fico, às vezes, pensando se as coisas que passam pela minha cabeça, passa pela cabeça dos outros. Afinal, as mazelas da vida parecem que só acontecem com a gente e, as benesses, com todos. Sei que a minha imaginação é foda e, por causa dela, sofro mais do que precisaria. Sendo assim, salvo você leitor, se a sua imaginação é similar a minha, você não esta sozinho, sofro contigo.

Uma estranha passa e a imaginação dispara. Não precisa ser com a pessoa em questão, nem parecer irmã gêmea de uma conhecida, basta ter algum detalhe, para lembrar alguém tido como especial. Divago, para uma galáxia distante, muito distante. Flutuo, em nuvens cercadas por querubins, tocando suas melodias em harpas.

Imagino: fantasias reais, desejos escondidos, situações inusitadas, tudo e mais um pouco, enfim. As vezes por 10min, 15min, quem sabe horas, vôo por entre os anjos, perfeita imaginação. Só que em um momento ou outro tenho que voltar para o solo, encarar a vida e, racionalizar um pouco, pelo menos um pouco não é. E não sei de fato, mas me parece, que acabou a “piração”. Bate a depre, com os fatos me batendo, surrando até o ultimo fio de cabelo branco da minha cabeça. Tento me defender, mas não dá, e dói como qualquer surra.

Doeria o corpo, se a surra fosse infligida por punhos, mas pior, dói a alma. Algo que temos e, não tem tylenol ou, quiçá, gardenal, que amenize a dor. O remédio seria viver uma realidade melhor que o sonho ou, pelo menos, exatamente igual. Mas cadê a receita médica, farmácia ou posto de saúde em uma hora como essa?

Não tem não, ou arruma o remédio ou para de sonhar, de qualquer forma, boa sorte. Entretanto não se preocupe, você não esta sozinho, o problema, é achar que estou.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Errado (Mente em trabalho, pensamento do dia)

Me perco em pensamentos perfeitos, errado como tudo que não tem falhas. Errado por não poder dizer a verdade que não posso ter. Que não quero compreender. Errado. Não vai dar certo. Errado é não tentar. Mas para que tentar algo que vai falhar. Não dá para sonhar. Errado é sonhar. Errado é tentar. Errado é não viver. Errado é pensar. Não da para ser feliz pensando, só se é feliz fazendo do sonho realidade. Sem acertar ou errar, porque isso é pensar, tentar, racionalizar. Errado é escrever. Chega. Errado seria continuar.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Jogos e Vida.

Na Teoria dos Jogos existem vários tipos de resultados possíveis por existirem diversas formas de jogos. Várias definições nos arrebatam, soma zero, cooperativo, evolucionários, equilíbrio pareto eficiente, equilíbrio de Nash, dentre outros.

Há os que dizem que a vida é um jogo, que cada decisão é uma estratégia. Assim, quem entende a teoria dos jogos leva vantagem? Gostaria que a resposta fosse sim, mas... mas entender as implicações de cada decisão, aceitar os riscos, esperar as respostas dos outros agentes, nada disso importa no jogo da vida real.

Na melhor das hipóteses aceitamos a "estratégia dominante" quando uma de fato existe. Normalmente esta estratégia acontece segundos depois de você pensar "que diferença faz" ou "pelo menos sei que vou fazer a minha parte" ou, na definição da estratégia, "isto é o melhor que posso fazer independente de todo o resto", o problema é quando "o resto" toma a pior decisão possível para você, apesar de saber o resultado desta possibilidade, não há nada a fazer, você fez o seu melhor.

Como em qualquer jogo, não da para ganhar sempre. Com a vida não é diferente, tanto nas grandes batalhas quanto nas pequenas diárias. Contudo, isso tudo você já sabia, foi só para lembrar, e continuando o que você já sabe, o importante é não parar de jogar, afinal, quem sabe o prêmio do próximo jogo que você vai ganhar, não é mesmo?

Finalizando, juntando o titulo de duas musicas, e só para explicar, apesar de não dever explicações, este é o motivo deste textinho: For "All the Things that I've Done" I'm "Waiting for the World to Change". Apesar de parecer negativo, bom, depende, e lhe digo que não é. :D

domingo, 24 de agosto de 2008

Memórias

De tanto esperar a imperfeição perfeita, o sorriso mágico, o olhar maroto, o toque gentil ou doce gosto, esquecemos. Depois de cada um, seja na ordem, na desordem ou em diferentes segundos, passou. Depois de viver parece que não vivemos, procuramos.

Esquecemos que a repetição exata é melhor que a repetição diferente, esquecemos que ter o mesmo verdadeiro para sempre, é melhor que o diferente verdadeiro do presente. Escolhemos sem razão uma saída, uma fuga ou uma ilusão, para onde o destino não esta escrito, nem o começo definido.

Esquecemos que o verdadeiro para sempre não tem final definido, que tem mais surpresas que o desconhecido, mais gostosas e saborosas, mais doces e desafiadoras. É na escolha do para sempre ou do presente estridente que fazemos da vida laboratórios de gente, mas não é deprimente.

Deprimente seria não procurar a perfeita imperfeição, seja agora diferente ou igual para sempre. Deprimente seria procurar o diferente pelo medo presente, esquecer de você e de alguém, para lembrar de outro alguém e você.

Por isso esqueça, desde que não seja deprimente, por ser isso você, você e alguém, agora ou amanhã, de verdade para a vida, ou de verdade para amanhã. De mentiras bastam as imperfeições perfeitas dos olhos de verão, da pele de inverno, dos cabelos do outono ou dos brotos da primavera.

Por isso lembre, desde que seja para sempre, por isso ser você, você e você, de agora e de sempre. De verdade então tudo o mais, as juras de hospital, os desejos de travesseiro, as promessas de espelho ou o cantar no chuveiro.

De verdade ou de mentira, para lembrar ou esquecer, de você ou de alguém, não se esqueça de lembrar, que tudo na vida fica com a gente, para sempre.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Era verdade

Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto - como se chama o que sinto? Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente - como se chama essa mágoa e esse rancor? Estar ocupada, e de repente parar por ter sido tomada por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota - como se chama o que se sentiu? O único modo de chamar é perguntar: como se chama? Até hoje só consegui nomear com a própria pergunta. Qual é o nome? e é este o nome. - Clarice Lispector

Quando perdemos a paixão e desistimos de ficar juntos – como se chama esse carinho e essa resignação? Estar á toa, e de repente ser tomado por pensamentos e sentimentos passados, também sorridentes e idiotas – como se chama essa consternação, essa nostalgia do que não aconteceu?

Quis falar disso, do restinho de paixão e daquele tempo que vem logo depois de termos desistido, um pouco antes da próxima tentativa. Ás vezes agente tenta transformar essa paixão em raiva ou em mágoa, mas sabemos que não é nisso que ela se transforma. Ficar bravo e decepcionado ao sentir carinho ao rever alguém que foi especial para nós depois de tudo estar acabado é tão natural e eficaz quanto xingar o juiz de um jogo pela TV. É importante deixar aquele desespero e empolgação da paixão passar, mas tentar se convencer de que as pessoas que foram especiais para nós o deixam de ser é como tentar negar tudo aquilo que achamos belo no mundo por que no dia que fomos ver o pôr do sol estava chovendo. Essas pessoas, das quais nós um dia gostamos, não deixam de nos ser queridas e especiais, aceitar isso é pegar aqueles nossos velhos desejos, gastos e amassados e guardá-los como prova de que o que sentimos foi verdade. Entenda e aceite o que sente. Enfim; “Olhar a vida em sua face, sempre, olhar a vida em sua face e conhecê-la pelo que ela é, e amá-la pelo que ela é, até que tudo seja posto de lado.”

--KJ

P.S: O primeiro parágrafo é da Clarice Lispector e a última frase é uma adaptação de uma das últimas frases do filme “As Horas”.
video

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Por enquanto as coisas vão bem

Quando as coisas vão bem agente fica bem bobo né? E é incrível que como totalmente "out of the blue" agente não precisa de mais nada e tudo que aparece e acontece é bom também manja? Só porque aconteceu numa hora boa. Engraçado isso ( engraçado agora pq se se as coisas estivessem ruim seria trágico... é bem assim mesmo que funciona meu guri, "get use to it!" ).

Então, quando as coisas vão bem agente fica prolixo! Tá tudo tão bom que não há necessidade de apressar as coisas, se está tudo bem agente não tem mais pressa de chegar logo no final e fala durante horas ( ou paráaaagrafos intermináveis).

Quando as coisas vão bem agente deveria é desobrir o porque? Porra, agente só pensa em Porque!, porque? por que meu Deus tudo tá dando errado. Seria útil é se agente tivesse a mesma determinação em descobrir porque tá tudo tão bem e tão "lindo".


Quando as coisas vão bem agente sempre solta uns comentários gays também, tipo o "lindo" do final do parágrafo passado, quão bixa é dizer tão lindo? E pessoas normais não sorriem para os outros na rua também não, quando se mora em Curitiba se você faz isso na rua as pessoas se afastam como se você tivesse lepra ou algo do gênero mas sabe que isso é bem bom! Porque quando as coisas vão bem alguém sempre sorri de volta e isso faz com que seja "lindo" viver em Curitiba.
Falando nisso, quando as coisas vão bem agente encontra denovo aquelas garotas tão "lindas" ( Agora não ficou gay... na verdade Linda é o melhor adjetivo DO MUNDO no feminino) que agente vê um dia num bar qualquer ( Qualquer dia, assim... em qualquer bar, isso não é uma adição biográfica pra dizer que fiquei super feliz em encontrar uma garota Linda que tinha visto no Bar James na quarta, eu não faria isso. )


Então, as coisas vão bem por enquanto.
Obrigado! (Todo mundo que tá feliz agradece um monte, não é uma regra nem nada, mas acontece)
Boa noite.
--KJ

Por Enquanto ...

Quando as coisas vão mal, agente recorre ao conhecido, ao alcool amigo, ao amigo querido, a desconhecida parceira.
Quando as coisas vão mal, o chão não esta muito perto para ajudar sabe? A procura é a revelia. Mas ninguem pode ajudar quando você sabe a resposta para suas perguntas.

Quando as coisas vão mal, você só não quer que elas piorem não é? Quando as coisas vão mal você se segura ao lado positivo do negativo, o preto e branco normalmente não lhe salvam, o chão não existe, e agarrar-se é impossivel.

Quando as coisas vão mal, e vc sabe as respostas para as perguntas, só resta a coragem de colocar os pés no chão, mas o medo de sentir o solo lhe impedem de deixar as coisas bem.

Quando as coisas vão mal, sabe, elas ainda podem piorar e parece desejo, um querer, um mergulhar no meio do oceano. Quando as coisas vão mal, não é ruim, é um arranhão, passe metiolate, sopre, e esteja pronto para voltar para o play.

Mas quando as coisas vão mal, agente precisa saborear o cheiro do fundo do poço, a terra salgada, a escuridão, para quando sentir o sol, a chuva em seu rosto na superficie, vc nunca mais querer estar lá.

Mas só quando as coisas vão mal. Só...

segunda-feira, 21 de julho de 2008

Poker Face

- Queria experimentar essa nova bebida. Isto é tudo o que fazemos, não é? Olhar para as coisas e experimentar bebidas diferentes – ele disse.
- Acho que sim.

- Quando eu te vi parecia madrugada de ano novo. Você lembra aquele bar?
- Lembro sim. E não era um Bar, era um café.
- E não era ano novo também, eu sei.
- Você acha que isso vai dar certo? Ela perguntou abaixando a cabeça para o lado.
- “Isso” o que? Nós?
- É. Você acha que agente vai dar certo?
- Eu sempre insisto tempo demais em coisas que não dão certo no final. Não sei te dizer.
- Você deveria ter me abraçado e dito: Claro que sim querida! Odeio essa sua mania de responder o que você pensa.
- Você iria saber que estava mentindo.
- Talvez não.
- Mas eu ia.
- Você sempre foi assim?
- Não. Ás vezes eu falava o que as pessoas queriam que eu falasse. Agora ás vezes eu me calo.
- Fica mais fácil conversando com você. Isso de dizer o que eu estou pensando. Nunca consegui saber o que você quer que eu diga. Ele disse ao se levantar para ir ao banheiro
- Sou tão enigmática assim?
- Você não faz idéia. O homem disse ao ir em direção ao banheiro, com um sorriso em seu rosto e a certeza de que sabia o que estava fazendo. Finalmente.

Ele estava ali pela primeira vez, mas ela gostava de lá. Ele ficou por algum tempo dentro do banheiro e ao sair de lá não soube distinguir um olhar não se importando em recebê-lo ou não, retribuí-lo ou não.

- Já sei o que eu quero ele disse ao puxar a cadeira para voltar a se sentar com ela.
- Vou pedir uma long neck.
- Demorou tudo isso para decidir pedir uma cerveja?
- É, achei que queria experimentar algo novo, mas mudei de idéia. Você vai querer comer alguma coisa?
- Não. Ia pedir vodca, mas vou querer uma long neck também.

- Oi – ele disse levantando um pouco seu braço e se dirigindo a garçonete que passava por entre as mesas.
- Queria duas long necks, por favor.

O homem olha para a mulher por alguns segundos e busca por sua carteira de cigarros no bolso. Enquanto abre a carteira e pega um cigarro ele aproveita para conferir suas mãos porque às vezes elas tremem um pouco quando ele está nervoso e agora queria saber se estava nervoso, mas não, não estava tremendo.
- Por que você ficou sem graça?
- Eu? Por quê?
- Você sempre ascende um cigarro quando fica sem graça conversando.
- Você é melhor do que eu nisso. Nisso de ler as pessoas. Talvez tenha sido por isso.
- É. Mas não foi né?
- Não. Ele responde batendo a cinza no chão, apesar do cinzeiro no meio da mesa.
- Bom timing - ele disse para a garçonete que deixa as long necks na mesa e sorri.


- Ás vezes não precisa acontecer nada para eu ficar sem graça sabe. Ás vezes eu só não sei como continuar uma conversa.
- Do que você quer falar? Ela disse sorrindo.
- De coisas simples. Tinha pensado em falar do futuro novamente, em falar pra você ficar comigo e dizer que tudo vai dar certo.
- Mas não vai...
- É. Não vai.
- Eu acho que seria bom sabe? Se agente ficasse juntos – Ela disse.
- Talvez, daqui a alguns anos, agente possa se encontrar. Pensar assim não me faz mal, um pouco.
- Vai passar. Espero que passe pra mim também.
- Vai passar.


--KJ

domingo, 13 de julho de 2008

Nova Postagem

Nota de esclarecimento: Depois de 10 anos retornarei a uma forma. A frase anterior é para mim, só uma nota de rodapé no roteiro da vida para não ser esquecida, não tente entender.
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Título: Algo Novo, Algo Velho.

Se passares por mim, muito bem, chegaste até mim, nada mal,
Se sorrires para mim, muito bem, olhaste através de mim, nada mal,
Se sorriste por mim, muito bem, viste minha alma, nada mal,
Se dormires por mim, muito bem, amanha será melhor, nada mal.

Se por mim pensas que sou eu, enganado estais,
Se por ti pensas em ti, certo estais,
A lição por mim é para ti e mais alguém,
Mais alguém por mim e para ti.

De sol a sol,
De pino a pino,
De repique a repique,
De perolas e perolas,
De sonho em sonhos,
De curvas e encontros,
De ouvidos e descontos.

De saltos e tropeços,
De erros e acertos,
De sono e desaterros,
De súbito e com apego,
Devagar e sem sossego,
Demorado e com apreço,
De esperar, compadeço.

No fim, por mim, por alguém ou por ti,
No começo, por mim, por ti ou por alguém,
No meio, por nós, para ti e por mim,
No futuro, para gente, para alguém, para todos.

Mas no fim mesmo, medo,
Mas no começo mesmo, esperança,
Mas no meio mesmo, tudo,
O que sobra para mim é ti,
O que sobra para alguém, é ti,
O que sobra para ti, é alguém,
Mas não há sobras,

Por tudo, eu,
Para ti, tudo,
Para alguém.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A Vida

A vida passada
A vida sofrida
A vida sonhada
A vida vivida

Vida de peão
Vida de sultão
Vida de multidão

A vida não passa
A vida não fica
A vida esta e não justifica

A minha, a sua, a de ninguém
A vida é nossa ou de outrem?
A nossa vida é de outrem
A de outrem é nossa

A vida de passageiro
A vida de condutor
A vida de carcereiro ou executor

A vida pela vida,
Não é vivida e sim exaurida.

Pela vida vivida,
Viva.

sábado, 28 de junho de 2008

Sonho, saudade e crença

Sinto falta da vida, às vezes. Da vida corrida e agitada que levava em minha cidade natal. Às vezes, de voltar para casa depois de uma noite de risadas e acordar minha mãe com a extrema falta de sutileza que tenho com as louças e portas, às vezes. Agora tenho mais compromissos, mas o ritmo de uma vida sozinho parece menor, às vezes. Talvez seja o silêncio. O Silêncio que deve ser feito após as 10 horas da noite em meu apartamento não é o mesmo silêncio que deve ser feito durante as noites em que se mora com a família.

Quando algo parece não sair da forma como planejamos existe uma nostalgia do certo, uma saudade do que é indubitavelmente bom no nosso passado. Não há uma forma precisa de saber se, realmente, nossos planos estão se concretizando ou se tomamos alguma decisão errada em algum momento do tempo. Não podemos saber o que se passa na mente de outros e é difícil não formular hipóteses e julgamentos precipitados quando não se sabe de tudo, e nunca se sabe.

Acreditar sempre foi um problema para mim, por não ter controle sobre minha imaginação talvez. Quando digo em que acredito é apenas uma forma de dizer que nada me leva a pensar o contrário, ainda. Não sou uma pessoa acostumada a verdades absolutas.

O Sonhar e o planejar estão tão atrelados a si próprios como estão à nostalgia e a crença. Sonhamos com o que no fundo de nossa consciência achamos possível, mas nem sempre acreditamos nesses sonhos quando estamos acordados porque necessitamos escolher uma entre diversas realidades prováveis para aceitá-la como verdade e quando não acreditamos em nossos sonhos somos levados à nostalgia e a não ação, mesmo quando tudo além do que podemos controlar está indo bem. A dúvida pode nos ser cruel.

domingo, 15 de junho de 2008

Foi assim

A sombra nos seus olhos era de uma cor muito escura assim como seu sapato era roxo e seu sorriso aberto e franco como minhas dúvidas.


Foi assim em um lindo e claro dia de chuva. Fez sol e choveu também, por isso eu fiz certo. Outra paixão não... É mais um encantamento, a diferença eu não consigo explicar.

- Quer algo do shopping?
- Não. Vou com você... Para comprar cigarros. Não quero nada do shopping não, não agora que você está aqui.

Verde não era nada, dessa vez não tinha nada verde ou laranja, tinha azul porque tinha o céu e por isso mesmo também tinha cinza.
Tinha tudo que não era uma coisa só e era só isso que tinha, e foi bem assim.

domingo, 25 de maio de 2008

Intervalo

É intervalo e a próxima aula está próxima quando insisto em ir até um banco no jardim interno. Um jardim dentro de um prédio, fechado entre corredores e exprimido junto ao pátio coberto aonde o relógio marca 17:32 e amigos se encontram rapidamente, trocando olhares e cumprimentos apressados, alguns param e deixam-se transbordar da alegria em se rever e da cumplicidade de prisioneiros felizes, apesar de ainda estarem ali. Mal se pode ver o céu, árvores grandes demais para o pequeno jardim se engalfinham e buscam os dias de sol como antigas curitibanas por demais acostumadas às cinzas tardes de outono.
Também troco cumprimentos e olhares afáveis, no fundo desejando secretamente que me deixem ali no banco, cercado por uma espécie de trepadeira cujas flores que ha alguns dias eram rosa, hoje são vermelhas, queimadas pelo sol.
Gosto de me sentar ali, fora da visão das pessoas que passam pelo pátio coberto, observando outros que como eu, busco abrigo nas antigas curitibanas para conversarem quase-reservadamente. Alguns casais, alguns desses ainda distraídos e por estarem distraídos riem mais e aproveitam mais a companhia um do outro. Lembro-me de um conto da Clarisse. Agora já não estamos mais distraídos, hoje ela não passará aqui. Vou para próxima aula.

P.S.: Tenho escrito pouco então decidi postar algo que escrevi já ha algum tempo mas se tornou relevante denovo nas minhas divagações.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Não sei o título :P

Quantas vezes você já ouviu alguém lhe dizer que “a vida é fácil, a gente que complica ela”? Será isso mesmo? Ahhhhh, você deve estar de brincadeira, a vida é foda e a gente à complica ainda mais tentando simplificá-la.

Quem sabe, talvez, para alguns a vida seja fácil, mas como você também já ouviu, “para toda regra há uma exceção”. Veja bem, você começa a ser definido antes mesmo da porra se juntar com o ovulo mané, que desgraça hein? Se seus pais fumam ou não, se comem comida saudável ou não, se têm doenças hereditárias ou não, que caralho mané, isso é foda.

Beleza, não temos consciência do que esta acontecendo, então deixa de ser foda, a gente nasce, não falamos nada, não temos noção de nada, e dizem que o nosso caráter é formado essencialmente até os 5 ou 7 anos de idade. Caralho, condenado pra vida, seja para o bem ou mal, por uma época que a gente nem lembra.

Beleza, agora a gente já tem o nosso DNA limpo ou não, temos o caráter definido, agora então a gente passa a entender a vida. Teoricamente vc tem DNA limpo e seu caráter é muito bom. Ai vc tem os problemas de família, sei lá, irmãos pentelhos, ou filho único solitário, ou pais que discutem, ou pais separados, a ausência daquilo ou excesso daqueloutro. Não, a vida não se resume a casa, tem o colégio, amigos do bairro, tios, avós, agregados e afins. Ta beleza, a vida é mole a gente que complica ela, mesmo quando a gente tem 10 anos de idade não é mesmo?

Ok Ok, nessa época a gente não era independente, as coisas vão melhorar quando tivermos independência... é mesmo? Agora vc é adulto, o colégio agora é o local de trabalho, deixou de ser filho para ser pai ou wanna be pai, se não quer ser pai para mim já é um problema por si só.

Agora as coisas revolvem sobre ganhar dinheiro para sobreviver rapá, fica esperto, quem sabe sustentar seus filhos, seus pais, outros familiares, sua vida. É a vida é muito simples a gente que complica, a gente devia tirar mais férias, não fazer nada por mais tempo.

A vida é simplesmente a vida, qual o sentido dela não importa, a vida não é mais difícil ou menos para qualquer pessoa. Como você já deve ter ouvido “Deus não lhe da uma cruz maior do que podes carregar”. É um alento não é mesmo? Bizarro.!!! Simples, quanto mais fraco vc for melhor a sua vida então?

- Olha Deus, eu não agüento esse tormento não... pega leve.
E Deus em sua infinita sabedoria diz:
- Ok, vc será rico, com saúde, trabalhará no que gosta e nada lhe faltará.

SUUUUUUUUUUURE.

Wake up little fella. A vida é a vida. Entender o seu significado só acabaria com a diversão. Se Deus lhe disser porque estamos aqui, porque faríamos todo o resto? Principalmente se Ele dissesse que o propósito da vida é procriar, seria bacana não?!!!

A vida não é fácil, mas não por isso você não vai ser feliz, as maiores vitórias são as mais difíceis.

Have a good one little fella, keep safe.

domingo, 11 de maio de 2008

Contos Voluptuários, Parte III (--KJ)


A primeira lembrança que tem do frio é de Campo Grande. Lembrava-se daqueles dias durante sua infância e adolescência quando alguma massa polar conseguia passar pelas planícies, por Campo Grande e por grande parte do centro-oeste. Chamavam isso de “friagem”. Quando acordava nesses dias gostava de ir até o jardim e ficar olhando a grama até que a fina camada de gelo derretesse.

Depois de deixar o apartamento de Rosa foi até um parque a menos de uma quadra de distância e sucumbiu à nostalgia que há alguns dias vinha instalando-se nas sombras dos seus pensamentos. Pensava em sua infância, na sua adolescência e em todas as decisões que deixou de tomar, em todos os sonhos que não sonhou por estar vivendo os sonhos de outras pessoas.

Era incrivelmente bom estar sozinha agora. Nunca gostou de se sentir obrigada a ter alguma postura ou a se comportar de alguma forma, mas sentiu que isso sempre aconteceu. Soube que não iria ver Rosa de novo, caso fizesse isso estaria fugindo apenas do seu casamento e não do seu antigo modo de vida.

Foi para um hotel.

O Dia (Pensamentos de Kilian)

Passa o dia e nada passa, em uma mistura de incertezas e replays a dor não me deixa, o vazio me visita e a solidão me aconchega. De conhecidos bastam meus pensamentos, sempre traiçoeiros, pregando-me peças como uma colega de trabalho, repetindo o bulling diário em pensamentos cada vez mais reais.

Não me escapa o desprezo pelos os olhos que me fitam todo dia ao espelho, o olhar cansado de uma viva não vivida, de um desespero injustificável, de uma dor diária inabalável.

Pensamentos me deixe em paz, és um mal necessário que deveria ser controlável, estais em um carro desgovernado ruma ao precipício, falta-me tudo para contornar a situação, me de idéias e não ilusão. Pare.

Misturas, pare, quero a realidade, quero meus pés ao chão, quero uma vida de peão. Não me tire da estrada da servidão, o precipício me matará enquanto a estrada me salvará, dai-me as rédeas da minha vida, acorde o passageiro, não lhe diga que voará, não há solução na ilusão, quero a servidão.

Um sonho de liberdade, de sanidade, um segundo de servidão, doce ilusão.

Pare.

domingo, 4 de maio de 2008

Millions

I’m a million things, none of which I like, maybe because I’m not happy with the present, maybe because I Just don’t try.

I’m one thing that I don’t like, I’m everything that I made myself, and nothing has made me, not even one time.

I’m something that I don’t like, I’m something that I don’t know why, it doesn’t please myself the hole time.

I’m nothing that I fell like, I’m nothing of what I dream of, Just because I never drove off.

I’m in the borderline of all things, hate and Love, all and nothing, I’m in the borderline and I don’t know where to go and try.

I’m at the end of the universe, hoping I was at the beginning Just for the sake of the mistakes of my life.

I’m in the borderline of life, heaven or hell awaits me, and I don’t know why I’m in the purgatory of my mind.

I’m lost on my own mind, trapped for my own sake, sleepwalking, waiting for the shake of the awake.

I’m a million things, I’m one thing, I’m something, I’m trapped on my mind, running in circles inside, searching for the exit sign that I don’t find.

I’m scared on the flip side, where you don’t mind when I cried that one time.

I’m here, and I don’t seam to find the way to go there, pull me up from the inside, rescue me from my own mind.

I’m not here and you don’t even try, I’m something that you don’t mind, but I’m a million things, none of which I like.

Qualquer noite num Barzin


Por um momento aquela estranha ao seu lado no bar se tornou a única coisa em sua mente. Retornar a sua cidade natal, reencontrar o irmão e alguns de seus mais formidáveis amigos bebendo ao som de boas músicas. Essas foram suas motivações nos últimos meses e agora tudo estava perfeito, assim como imaginou.

O Barzin, lugar descoberto em sua ultima visita a Campo Grande no meio do ano ainda emanava a mesma aura underground, não devido a sua decoração, mas por ter freqüentadores assim. O lugar abrigava diversos tipos de pessoas, de quase todos os rótulos, dos mais divulgados aos mais discriminados e nenhuma destas pessoas demonstrava se importar com a forma que eram vistas fora dali.
Dificilmente uma única tribo seria capaz de manter um lugar assim na cidade, já Curitiba não tinha um lugar assim, era uma cidade mais sectária. A divisão entre as tribos serve muito bem para encontrar pessoas até certo ponto parecidas e é muito útil se você está procurando uma identidade ou já faz parte de um grupo, mas este não é mais o caso. Para Eduardo um lugar que pertença exclusivamente a uma tribo tinha sempre um efeito excludente.

Sempre fez parte de minorias, andando com freaks, nerds, metaleiros... Foi livre assim, mas agora depois de se mudar para Curitiba e viver alguns anos lá freqüentar bares aonde todos eram da mesma tribo era como ser um estrangeiro, sua identidade visual não se ajustava mais tão facilmente quanto em um colégio que exige o uso de uniforme.

Agora Eduardo tinha voltado a ser livre.
Livre para ser como quiser, para ser uma pessoa um pouco diferente de si mesmo a cada dia, assim como os dias que apesar de parecidos carregam consigo sempre algo de novo. E aquela estranha ao seu lado no bar era exatamente assim. O som das suas asas dissonava de tudo que já havia escutado. Seus cabelos negros, curtos e repicados tentavam esconder com franjas seus olhos alegres e deixavam seu belo pescoço à mostra tornando irresistíveis seus lábios expressivos e fluidos.

Nada aconteceu naquela noite - Essa não será uma história de ação ou sobre relacionamentos possíveis, não... Será uma história de amores inventados - As histórias de Eduardo raramente são marcadas por eventos como conhecer uma bela estranha num bar e ficar com ela e isso não era uma novidade para ele e de fato ele ainda demorou algumas horas depois de acordar no dia seguinte até pensar naquela estranha novamente. Tinha visto ela como uma bela mulher em um lugar interessante, mas algo mudara depois de acordar, talvez algum sonho que não se lembre ou talvez o fato de estar sozinho quando acordou. Nunca se consegue saber todos os motivos, mas estava pensando demais em uma estranha, isso tinha que admitir.

De alguma forma podia prever o que iria acontecer em alguns dias. Com certeza algum tempo se passaria e essa estranha ganharia um nome, seus movimentos e olhares se tornariam conhecidos e não menos amedrontadores por isso e então ela passaria várias noites sendo a próxima a entrar pela porta, sendo a desculpa para não procurar alguém novo, ocupando finalmente o posto de amor platônico que estava vago há alguns meses.

Quando finalmente um amor platônico sai do seu mundo é uma sensação estranha, os dias passam inteiros como os segundos logo depois de acordar de uma noite mal dormida.

Agora Eduardo se senta, escrevendo algo no PC e tomando café... Café é bom pra acordar depois de uma noite mal dormida ele pensa.
P.S.:Os personagens dessa história não são ficticios e qualquer semelhança com algo ocorrido não é mera coincidência.

segunda-feira, 28 de abril de 2008

Contos Voluptuários, Parte II (--KJ)

Yasmim comprou alargadores. A primeira coisa que quis fazer ao descer do avião em Berlin foi tirar aqueles brincos caros e sofisticados que ainda usava para voltar a usar alargadores. Sentia-se bem com eles que sempre estavam lá quando sonhava ou se imaginava no espelho.
O bar em que uma amiga tocava era seu tipo de lugar preferido. Chegou sem ser esperada e ao entrar no lugar reconheceu imediatamente Rosa e alguns rostos familiares.

Foi para o apartamento de Rosa no final da noite. Yasmim sempre gostou dela, por um tempo elas foram parte da mesma banda ainda em São Paulo e sempre compartilharam de uma cumplicidade plena. Acordou com a luz do sol sobre seu rosto e ao despertar sentiu-se bem, Pegou o vestido que Rosa havia deixado no chão, deu um beijo em sua testa e saiu.

Quando voltou Rosa ainda estava sobre a cama enrolada ao cobertor.
- Hey Flor! Vai querer seu café quente ou vai dormir até que ele esfrie? Yasmim perguntou sorrindo ao ver Rosa se espreguiçar sentando na cama, ainda com o cabelo desarrumado e rosto marcado pela maquiagem borrada, mas ela já sorria.
- Quero o café quente mesmo meu bem. Rosa sussurrou ao levantar se desvencilhando do cobertor enquanto prendia seus cabelos longos e ruivos. Andou lentamente até Yasmim e beijou sua nuca nua sussurrando mais uma vez: - Obrigada querida. Então pegou o café da mão de Yasmim e foi até o armário se vestir.

quinta-feira, 24 de abril de 2008

Delicadeza


Em 1996 foi a primeira vez que soube de onde vinha aquele cheirinho bom no jardim.
O jardim de casa tinha flores lindas e majestosas, mas nunca liguei muito para elas, não sou uma pessoa que gosta muito de jardins, mas aquele cheirinho bom sempre me fascinou até que descobri a florzinha lilás de manacá que exalava todo aquele perfume, foi difícil de notá-la confesso e depois de um tempo acabei me mudando, morando em outra cidade, gostando de outras flores, mas o cheirinho bom que a lilinha exalava sempre foi uma boa lembrança depois de dias corridos quando o cotidiano brusco do mundo, as buzinas, as reclamações e as caras fechadas de todos ao nosso redor parecem empestear todo o mundo com seu cheiro acre.

Sempre que podia eu procurava ver a lilinha e sentir seu perfume, mas agente vai se desacostumando com a delicadeza que é sempre tão difícil de ser encontrada e vai ficando um pouco mais áspero.

Sei que não são muitas as pessoas que percebem como esse perfume faz o mundo ser melhor lilinha, por isso eu queria dizer pra todo mundo que o cheirinho bom que agente sente de vez em quando é porque alguém está sendo delicado, ele vem de gente como você Fernanda Takai.
Obrigado viu!

P.S:
Ontem dia 23 fui num bate papo e lançamento do livro de contos e cd solo com a Fernanda Takai. Já tinha lido o livro faz um bom tempo e o aconselho a todos assim como Patu Fú que é uma das minhas bandas favoritas.
Como todo fã fui totalmente bobo na hora de pegar o autógrafo, mas é assim que agente se sente né? Além de fã do trabalho dela ela sempre foi um ícone pra mim, um símbolo de como agente pode fazer do nosso mundo um lugar melhor, nas pequenas coisas, nas filas, no trânsito, sendo gentil. Também gosto muito do John e de toda a banda, não poderia terminar isso sem citá-los.

Aproveitando o embalo eu deixo um abraço a todas as pessoas delicadas que também ajudam a dar esse cheirinho bom pro mundo. Pode parecer pouco ás vezes, mas alguém sempre nota, não se preocupem.

domingo, 20 de abril de 2008

Contos Voluptuários, Parte I (--KJ) Fuck it !

Não gosto destes brincos.
Era o que estava pensando enquanto dava os últimos retoques em sua maquiagem e vestido branco. Respirou fundo agradecendo por estar sozinha e soube: nada seria como antes.

Demorou ainda para sair do banheiro, alguns segundos ou alguns minutos, não saberia distinguir e não pôde chorar... Estava maquiada.

Todos estavam muito ocupados, decorando os bancos no amplo quintal gramado aonde seria a cerimônia ou levando coisas para a cozinha e foi fácil chegar até a sala de espera aonde tinha deixado suas coisas para pegar sua bolsa com o celular e um sobretudo, deixou as chaves e saiu.

Não sabia mais há quanto tempo estava andando. Lembrava-se de ter pegado uma pequena estrada lateral para sair do caminho descrito nos convites. Andava com o sobretudo fechado e segurava seu celular desligado em um bolso e seu i-pod no outro. Chegou à entrada da vila antes de acabarem as músicas do John Mayer e entrou em um ônibus destinado a Paris ainda a tempo de escutar “Slow dancing in a burning room”.

Lavou seu rosto maquiado no banheiro da rodoviária parisiense com simplicidade e pegou um táxi.
- Para o aeroporto, por favor. Disse com seu francês claro.
- Vai buscar alguém moça? Se ele for chegar num vôo internacional a entrada é diferente, sabe como é...
- Não, eu que estou indo viajar ela completou com um sorriso nos lábios.
- Já despachou as malas então não é? Tem gente que leva uma quantidade de malas que você não acreditaria disse o taxista ainda com seu sotaque irlandês.
- Já sim, tudo que vou precisar já está lá.

Lembrava-se de seu longo namoro que durante um bom tempo foi à distância e em como isso a deu liberdade para ficar sozinha, teria sido horrível ficar sozinha todo aquele tempo e ela não queria estar com ninguém. Lembrava-se do seu noivado na casa dos pais, de como sua vida passou até agora. Lembrava-se de como saiu de Campo Grande pra fazer faculdade em São Paulo, de como deixou São Paulo para trabalhar na França depois que terminou o curso de Moda.

Nunca havia parado para pensar em seu futuro ou sonhado com ele, sempre vivera do agora e aos poucos foi participando dos sonhos de outras pessoas, do sonho de ser filha, amante, amiga. Pensava exatamente nisso durante o caminho até o aeroporto.

Você pode estar se perguntando como alguém que fez universidade, viajou pelo mundo e estava prestes a se casar nunca havia parado para pensar no futuro e nos seus sonhos. Por isso vou te contar como Yasmim viveu até agora, é só um resumo, vai ser rápido.

Ela sempre foi alegre o que a fez extrovertida e autêntica, mudava como a maré e como alguém livre como ela sempre foi pode se prender a um sonho? No momento em que admitisse seus sonhos eles a prenderiam fazendo com que perdesse o que mais prezava; a sua liberdade para ser diferente dela mesma quando o sol voltasse a nascer.

Agora Yasmim ainda não quer dizer qual é seu sonho, mas ela sabe que nesse sonho ela não está casada, não ainda.

- Não ainda, ela diz em português quase inaudível quando fecha a porta do taxi que a deixou na frente do aeroporto.
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Essa foi a minha primeira parte, provavelmente vai demorar um pouco para os personagens se encontrarem, por enquanto vamos construir um cenário e pano de fundo.

O tema da próxima parte será "Egoísmo Necessário"

domingo, 13 de abril de 2008

Algo sobre Procrastinação...

Olha, bem que tentei, pensei poesia não deu certo, tentei fazer um conto e não finalizei, tentei uma musica, o nome seria There is no Tomorrow, e consegui somente essas duas estrofes:

Right now,
it doesn't even matter quite how
Its not even a question of know-how
Just don't forget about right now.

Cause if tomorrow
If tomorrow never comes
What u should have done,
What u should have said,
How things would have been,
Right now. Right now.

Calma, deixa eu explicar, o K.J. definiu esse tema, ingrato tema, a culpa não foi minha, eu tinha coisas mais importantes para fazer do que me deparar com o esforço de escrever sobre procrastinação.

Na segunda, hmmm, não, a segunda eu não lembro o que eu fiz, aparentemente dormir estava envolvido, na terça estudei como qq outro bom estudante, de manha até a noite, na quarta estudei e "trabalhei", estava morto, até tentei fazer a poesia como disse acima, não deu. Quinta, ah na quinta eu tinha que fazer um trabalho atrasado que vou entregar na quarta, mas não terminei o trampo na quinta, então ele ficou para sexta, e na sexta tb não terminei, ficou para outra pessoa do grupo terminar, e com isso na sexta tentei a musica, não deu por completo.

Sábado? Poxa, hora de descansar não é? Escrevo a noite, não deu, aquele filme de sábado da HBO não permitiu, ele tinha 3h e depois estava tarde, tinha que dormir. Claro, no domingo eu faço, isso claro depois de ir no supermercado pela manha, depois então. Bom depois eu não podia, tinha que limpar a casa. Depois do almoço? Não não, preparação psicológica para a semi-final do campeonato paulista... Depois do jogo? Não, muitas mesas redondas, fica para depois.

Agora é depois, estou escrevendo que estou deixando para depois, agora é o Fantástico, tenho que saber o que esta acontecendo com o mundo não é mesmo? Os planos para semana? Simples, fazer o trabalho que não terminou, estudar o que tinha que ter estudado esta semana que passou, me preparar psicologicamente para mais um jogo no domingo e procrastinar o máximo possível, tudo que possível. hmmm, estou me contradizendo não é mesmo? Pois bem, procrastine quando puder, quando não puder, trabalhe/estude/pesquise/ao qq outra coisa imadiata, ou então nunca procrastine, mas não esqueça de viver, de tirar aquele tempo só para você e a vastidão da sua imaginação.... ahhhhhh.... procrastinar ou não? Sei lá.

Resumo da opera, meia poesia em forma de musica, ou meia musica em forma de poesia, meio conto em forma de desculpa ou meia desculpa em forma de conto, no fim, tudo deu certo, portanto boa noite, semana que vem postaremos sobre.... Bom... Decidiremos sobre isso amanha, não preciso postar agora o tema ;-)

sexta-feira, 11 de abril de 2008

Leveza (Um conto sobre procrastinação)

Teria acordado com o despertador e tateando a cabeceira da cama ainda com os olhos fechados acabaria com o barulho. Levantaria para comer algo e se arrumar com um pulo só e no caminho para o trabalho se irritaria com o trânsito e com sua vida enquanto alguém no rádio falaria sobre economia e auto-ajuda.
Faria todo o necessário, era um funcionário pró-ativo, com bom networking, criativo e empreendedor, só não tinha muito tempo. Tudo seria feito para economizar tempo, desde comer num fast-food aonde não teria fila até o gerenciamento de compromissos feito eletronicamente.
Se naquele dia tivesse feito tudo isso, como sempre fazia, então estaria morto. Um avião caiu em cima do escritório da TAM que trabalhava na frente do aeroporto e ele, o funcionário do mês por três meses consecutivos não estava lá. Teria morrido 20 minutos antes de voltar para casa, quase no final do seu expediente.
Mas esse não é o ponto, é só um contraste, alguém tem que morrer para que outros valorizem mais a vida, mas essa tragédia sozinha, teria apenas deprimido nosso personagem, não teria mudado sua vida no que diz respeito ao seu tempo, o que fez com que ele mudasse foi essa tragédia ter acontecido em um dia que ele viu o pôr do sol.

Laranja... Verde... Alguns pingos de chuva no chão.

Uma peça de teatro com essas cenas. “Instantâneos de tempo em tempo” esse era o nome da peça*.

Laranja era o pôr do sol e a garota estava de verde.
As gotas de chuva no chão foram o que a fez a garota pedir para que tudo parasse. Isso na peça. Nesse conto o que fez com que ele pedisse para que tudo parasse foi o pôr do sol.
Agora ele ia atrás da garota de verde... A com os olhos verdes, da cor do vestido assim como na peça. Talvez ela esteja no parque amanhã, no parque do pôr do sol e da chuva.

*Essa peça existe. Vi ela no Festival de Curitiba e adorei cada segundo, é da Companhia Provisória.

domingo, 6 de abril de 2008

Obrigado

Quando um olhar nos devolve a esperança nos tomando de assalto e nos afastando da paz dos desiludidos. Como podemos agradecer?
Como podemos agradecer a essa imagem? Esse vulto em forma de mulher que agora invade os instantes que antes fluíam soltos, livres entre inúmeras tarefas diárias.

Talvez sem atribuir-lhes o peso da existência. Dessa forma esse vulto e esse olhar podem permanecer, até que aos poucos eles percam os detalhes, a intensidade e voltem a fazer parte apenas da lembrança daquelas horas de festa, daqueles minutos de incredulidade e risadas, até que o instante tenha se perdido no todo. Espero que aí então eu a veja de novo, e ainda encontre aquele olhar.

Não direi seu nome, pois prefiro que seja vulto, que seja ainda olhar, direi seu nome apenas quando estiver transformando-se em pessoa para que me lembre que você é mulher e não vulto e então quando conseguir vê-la por inteiro te chamarei e descobrirei até que ponto um olhar pode nos fazer conhecidos.
Descobrindo que aquele olhar era tudo que poderia ter agradecerei por tê-lo visto.
Descobrindo que poderia ter tido mais agradecerei pela nova coragem que um momento de hesitação me trouxe.
Descobrindo uma nova chance... sinceramente... não sei o que faria.


P.S.: Postei Pseudônimo muito cedo e decidimos não adiantar um tema. Esse é um texto antigo que posto hj com a marca off para não passar muito tempo sem postar. Próximo domingo ainda será Procrastinação.

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Pseudônimo

As amarras dos nomes te impedem de viver,
Te seguram para que você não possa ser,
Ser aquele dos sonhos acordados,
Ser aquele que faz e não quer saber.

Preso pelo bom nome,
Experiências passam ao longe,
Deixam-te ansioso ao leu,
A distancia, mantendo o fiel.

Se pelo nome deixas de tentar,
Se deixas de tentar não vive,
Se não vive, largue o nome.

Seja você outro homem,
Outro homem como você,
Sem um fiel a controlar seu ser.

segunda-feira, 31 de março de 2008

"Clarissa" lyrics

I will buy the flowers myself
I will buy the flowers myself
With one in my hands
I will find you
Walking on the street
Or laying on your bed

In fact it’s alright
In fact it’s alright
If it’s not you
In this case
I will find someone new
I will find someone new

In this big big day
In this big big day
The flowers that I bought (to you)
Will find another you
Don’t get me wrong
I fancy you
I will find you

In fact it’s alright
In fact it’s alright
If it’s not you
In this case
I will find someone new
I will find someone new

Tomorrow will arrive
Tomorrow will arrive
With new flowers to you
If not with me (break)
Maybe, maybe you too
Can find someone new

In fact it’s alright
In fact it’s alright
If it’s not you
In this case
I will find someone new
I will find someone new

--KJ / Dark Blue


P.S.: Yeah baybe!!!
P.S.2: Take it to the bridge!!!

"Halo for Sale" lyrics

At the first sight of you
I usually get cold
And if I see your face
Its burns into my mind

Baby don’t talk to me
Let me just be
The same person
With the same old-fashion dreams

(chorus)
I don’t wanna fly with you
I’m afraid of heights
I just don’t wanna fly with you
Ooh no, no, no… it’s true

Put your Halo for Sale
And get off from your wings
You don’t have to be
Just somebody’s dreams

(chorus)
I don’t wanna fly with you
I’m afraid of heights
I just don’t wanna fly with you
From here I can see the sky
Maybe you don’t wanna fly any more
Like me, you’re afraid of heights
Just don’t let me fly away from you
Ooh no, no, no… it’s true

--KJ / Dark Blue


P.S.1: Yeah baybe!!!
P.S.2: Take it to the bridge!!!

Devil's Workshop

Losing grip of the universe,
Felling loose and out of control,
Point me into the wrong line
Shut me out, shut me inside

Losing touch, losing me,
My mind free, or should be,
Nothing like, like used to be,
Shut the lights, Close your eyes,

Nothing more, nothing bright,
Shut me out, shut me inside,
Close the door, don't look behind,
The curtains are down, go home and cry

Beauty is from
A million years
Drove off
Left me to tears
The past is black
Future's bright

Nothing more, nothing bright,
Shut me out, shut me inside,
Close the door, don't look behind,
The curtains are down, go home and cry

Today is over, I surrender,
The future is what I need,
Just shut the door, don't look behind.
A lot more, a lot bright.

Pseudônimo

Carlos estava sozinho em seu apartamento, seu colega de quarto tinha ido para a praia neste final de semana e depois de ver um anúncio em um site do qual nem se lembrava, decidiu fazer um perfil numa dessas “agencias de relacionamentos” moderna aonde quase tudo era feito on-line. Não sabia se agencia de relacionamentos era o nome correto para esse serviço, mas achou inteligente o questionário que eles tinham.

Supostamente depois de responder a algumas perguntas o site te classificava como um tipo de pessoa, eram 4 tipos pelo que lembrava. Depois de te classificar eles relacionam as pessoas que possivelmente vão se dar bem através disso e te mandam um e-mail com uma lista de perfis de pessoas indicadas, que tem até a percentagem de combinação dos perfis, assim que você termina de fazer tudo.
Legal isso... até a hora que você enche o saco de receber e-mails com listas de pessoas como se fosse propaganda de liquidação, dae é meio chato.

Carlos era Artesão/Racional. Bem esquisito isso ele pensou, pela primeira vez se perguntando se era possível isso de classificar as pessoas como pertencentes a tão poucos tipos. Eu conheço um bom número de tipos de pessoas, pensou consigo mesmo antes de clicar “próximo passo” e começar a responder outras perguntas sobre onde morava e o que esperava de uma pessoa interessante.

No final de tudo isso se pegou por um bom tempo pensando em como responder duas das mais difíceis perguntas. Nome: e Quem eu sou:

- Porra! Como assim quem eu sou? Disse em voz alta aparentando esperar uma resposta do monitor.

É inevitável... Em qualquer site de relacionamento você tem que responder a essas perguntas, foi a resposta do monitor no silêncio da sala de Carlos.

- Beleza então! Começou a dizer novamente em voz alta. – Meu nome é Antônio e eu sou uma pessoa extrovertida e simpática buscando um relacionamento duradouro e estável com uma mulher companheira e leal.
- Viu? Alguém poderia ser exatamente como eu e escrever algo totalmente vazio de sentido como isso. Gostaria de nunca ter que responder esse tipo de pergunta. Sei lá... Chamar um advogado.
- Você sempre responde a verdade quando te perguntam quem é você?
- Eu não.


PS: O combinado é um tema por domingo e hoje ainda é segunda mas como eu já terminei vou postando por agora mesmo e já começando a escrever outras coisas. O tema da semana que vem deve ser Procrastinação, que é o ato de ficar enrolando e não fazer o que tem que fazer, ficar adiando as coisas.

Stranger

Por um momento aquela estranha ao seu lado no bar se tornou a única coisa em sua mente. Retornar a sua cidade natal, reencontrar o irmão e alguns de seus mais formidáveis amigos bebendo ao som de boas músicas. Essas foram suas motivações nos últimos meses e agora tudo estava perfeito, assim como imaginou.

O bar descoberto em sua ultima visita a Londres no meio do ano ainda emanava a mesma aura underground, não devido a sua decoração, mas por ter freqüentadores assim. O lugar abrigava diversos tipos de pessoas, de quase todos os rótulos, dos mais divulgados aos mais discriminados e nenhuma destas pessoas demonstrava se importar com a forma que eram vistas fora dali. Dificilmente uma única tribo seria capaz de manter um lugar assim na cidade, já Richmond não tinha um lugar assim, era uma cidade mais sectária. A divisão entre as tribos serve muito bem para encontrar pessoas até certo ponto parecidas e é muito útil se você está procurando uma identidade ou já faz parte de um grupo, mas este não é mais o caso. Para James um lugar que pertença exclusivamente a uma tribo tinha sempre um efeito excludente.

Sempre fez parte de minorias, andando com freaks, nerds, metaleiros... Foi livre assim, mas agora depois de se mudar para Richmond e viver alguns anos lá freqüentar bares aonde todos eram da mesma tribo era como ser um estrangeiro, sua identidade visual não se ajustava mais tão facilmente quanto em um colégio que exige o uso de uniforme.
Agora James tinha voltado a ser livre. Livre para ser como quiser, para ser uma pessoa um pouco diferente de si mesmo a cada dia, assim como os dias que apesar de parecidos carregam consigo sempre algo de novo. E aquela estranha ao seu lado no bar era exatamente assim. O som das suas asas dissonava de tudo que já havia escutado. Seus cabelos negros, curtos e repicados tentavam esconder com franjas seus olhos alegres e deixavam seu belo pescoço à mostra tornando irresistíveis seus lábios expressivos e fluidos.

Nada aconteceu naquela noite - Essa não será uma história de ação ou sobre relacionamentos possíveis, não... Será uma história de amores inventados - As histórias de James raramente são marcadas por eventos como conhecer uma bela estranha num bar e ficar com ela e isso não era uma novidade para ele e de fato James ainda demorou algumas horas depois de acordar no dia seguinte até pensar naquela estranha novamente. Tinha visto ela como uma bela mulher em um lugar interessante, mas algo mudara depois de acordar, talvez algum sonho que não se lembre ou talvez o fato de estar sozinho quando acordou. Nunca se consegue saber todos os motivos, mas estava pensando demais em uma estranha, isso tinha que admitir.

De alguma forma podia prever o que iria acontecer em alguns dias. Com certeza algum tempo se passaria e essa estranha ganharia um nome, seus movimentos e olhares se tornariam conhecidos e não menos amedrontadores por isso e então ela passaria várias noites sendo a próxima a entrar pela porta, sendo a desculpa para não procurar alguém novo, ocupando finalmente o posto de amor platônico que estava vago há alguns meses.

Quando finalmente um amor platônico sai do seu mundo é uma sensação estranha, os dias passam inteiros como os segundos logo depois de acordar de uma noite mal dormida.
Agora James se senta, escrevendo algo no PC e tomando café... Café é bom pra acordar depois de uma noite mal dormida ele pensa.

Doce

As noites de farra são como jogos de azar,
Espera-se sempre encontrar uma forma de ganhar.
Ganhar a vida, ganhar o desejo, ganhar,
Perder os medos, perder os grilhões, se soltar.

A aposta se dá quando a estranha passar,
Aquela dos sonhos proibidos, aquela a se desejar.
O jogo é pessoal, contra você,
O único que pode ganhar ou perder, mas

Como ganhar algo que não se pode tocar,
Como perder algo que não se pode ter,
Como saber as regras de algo efêmero, a saber

Efêmero pela perfeição, dos detalhes precisos de uma visão,
Perder ou ganhar não é somente uma questão,
É o entendimento de que tudo não passa de ilusão.

domingo, 30 de março de 2008

Soneto de Esclarecimento

Em sabendo da necessidade da comunicação,
Nada melhor que um blog para divulgação,
Dois amigos com tempo para criação,
Decidem em um blog, expor seu coração.

Semanalmente, com um tema em questão,
Cada um com sua forma de expressão,
Conto ou poesia para sua apreciação,
Será feito com amor e dedicação.

Sem desespero, sem rimas bobas para sempre,
Somente agora para a necessidade latente,
De um escritor pedante e carente.

No futuro, não mais que nós,
No futuro, não mais que vocês,
No futuro, não mais que o futuro.

Esclarecimento

(10:55) Faz algum tempo tínhamos combinado de escrever, cada um de sua forma preferida, prosa e poesia sobre um tema escolhido, o mesmo tema para os dois.
Um tema por semana foi a primeira idéia e Domingo deveríamos publicar o escrito e escolher outro tema.
Se funcionou? Claro que não! Tinhamos combinado isso a uns 3 meses e só escrevi um conto desde então e agora (11:02) eu tenho que terminar um conto onde fique claro o que vai ser esse blog. Porra... Se eu não escrever algo até as 12h o K.C vai me encher o saco que eu não terminei no dia que combinamos, mesmo eu argumentando que já era 10:55 quando criamos o Blog.
Então é isso,vamos escrever um tema por semana eu vou escrever em prosa e o K.C em verso. E sem acochambração, vamos decidir o tema e postar no domingo e então no próximo vai ter que estar tudo pronto, nada de escrever qualquer coisa e depois dar um jeito de “achar” um tema em comum.

- Pseudônimo! O tema da próxima semana podia ser Pseudônimo, me disse K.C pelo Ventrilo.
- Verdade! É idiota e não é babaca como Amor, Amizade, Solidão. Vamos deixar para escrever de coisas babacas depois, disse concordando com qualquer coisa para conseguir terminar de escrever o dessa semana antes de passar da meia noite.

Essa história de pseudônimo é bem idiota eu concordo, mas veja bem: Vou usar pseudônimo e dessa forma você pode ter certeza que esse blog não é um “diário” ou algo desse gênero, nada contra, mas não é a idéia. Então é isso. Já ficou claro que vai ser um tema por semana, não precisava nem ter repetido isso, somos duas pessoas escrevendo e não vamos usar nossos nomes de verdade, falaremos de pseudônimo na próxima semana, isso também já tinha ficado claro, então é o fim – eu sei, eu sei... isso também já estava claro.


P.S.: 11:30 ainda, foi bem rápido isso, e já deu né...