sábado, 28 de junho de 2008

Sonho, saudade e crença

Sinto falta da vida, às vezes. Da vida corrida e agitada que levava em minha cidade natal. Às vezes, de voltar para casa depois de uma noite de risadas e acordar minha mãe com a extrema falta de sutileza que tenho com as louças e portas, às vezes. Agora tenho mais compromissos, mas o ritmo de uma vida sozinho parece menor, às vezes. Talvez seja o silêncio. O Silêncio que deve ser feito após as 10 horas da noite em meu apartamento não é o mesmo silêncio que deve ser feito durante as noites em que se mora com a família.

Quando algo parece não sair da forma como planejamos existe uma nostalgia do certo, uma saudade do que é indubitavelmente bom no nosso passado. Não há uma forma precisa de saber se, realmente, nossos planos estão se concretizando ou se tomamos alguma decisão errada em algum momento do tempo. Não podemos saber o que se passa na mente de outros e é difícil não formular hipóteses e julgamentos precipitados quando não se sabe de tudo, e nunca se sabe.

Acreditar sempre foi um problema para mim, por não ter controle sobre minha imaginação talvez. Quando digo em que acredito é apenas uma forma de dizer que nada me leva a pensar o contrário, ainda. Não sou uma pessoa acostumada a verdades absolutas.

O Sonhar e o planejar estão tão atrelados a si próprios como estão à nostalgia e a crença. Sonhamos com o que no fundo de nossa consciência achamos possível, mas nem sempre acreditamos nesses sonhos quando estamos acordados porque necessitamos escolher uma entre diversas realidades prováveis para aceitá-la como verdade e quando não acreditamos em nossos sonhos somos levados à nostalgia e a não ação, mesmo quando tudo além do que podemos controlar está indo bem. A dúvida pode nos ser cruel.

domingo, 15 de junho de 2008

Foi assim

A sombra nos seus olhos era de uma cor muito escura assim como seu sapato era roxo e seu sorriso aberto e franco como minhas dúvidas.


Foi assim em um lindo e claro dia de chuva. Fez sol e choveu também, por isso eu fiz certo. Outra paixão não... É mais um encantamento, a diferença eu não consigo explicar.

- Quer algo do shopping?
- Não. Vou com você... Para comprar cigarros. Não quero nada do shopping não, não agora que você está aqui.

Verde não era nada, dessa vez não tinha nada verde ou laranja, tinha azul porque tinha o céu e por isso mesmo também tinha cinza.
Tinha tudo que não era uma coisa só e era só isso que tinha, e foi bem assim.

domingo, 25 de maio de 2008

Intervalo

É intervalo e a próxima aula está próxima quando insisto em ir até um banco no jardim interno. Um jardim dentro de um prédio, fechado entre corredores e exprimido junto ao pátio coberto aonde o relógio marca 17:32 e amigos se encontram rapidamente, trocando olhares e cumprimentos apressados, alguns param e deixam-se transbordar da alegria em se rever e da cumplicidade de prisioneiros felizes, apesar de ainda estarem ali. Mal se pode ver o céu, árvores grandes demais para o pequeno jardim se engalfinham e buscam os dias de sol como antigas curitibanas por demais acostumadas às cinzas tardes de outono.
Também troco cumprimentos e olhares afáveis, no fundo desejando secretamente que me deixem ali no banco, cercado por uma espécie de trepadeira cujas flores que ha alguns dias eram rosa, hoje são vermelhas, queimadas pelo sol.
Gosto de me sentar ali, fora da visão das pessoas que passam pelo pátio coberto, observando outros que como eu, busco abrigo nas antigas curitibanas para conversarem quase-reservadamente. Alguns casais, alguns desses ainda distraídos e por estarem distraídos riem mais e aproveitam mais a companhia um do outro. Lembro-me de um conto da Clarisse. Agora já não estamos mais distraídos, hoje ela não passará aqui. Vou para próxima aula.

P.S.: Tenho escrito pouco então decidi postar algo que escrevi já ha algum tempo mas se tornou relevante denovo nas minhas divagações.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Não sei o título :P

Quantas vezes você já ouviu alguém lhe dizer que “a vida é fácil, a gente que complica ela”? Será isso mesmo? Ahhhhh, você deve estar de brincadeira, a vida é foda e a gente à complica ainda mais tentando simplificá-la.

Quem sabe, talvez, para alguns a vida seja fácil, mas como você também já ouviu, “para toda regra há uma exceção”. Veja bem, você começa a ser definido antes mesmo da porra se juntar com o ovulo mané, que desgraça hein? Se seus pais fumam ou não, se comem comida saudável ou não, se têm doenças hereditárias ou não, que caralho mané, isso é foda.

Beleza, não temos consciência do que esta acontecendo, então deixa de ser foda, a gente nasce, não falamos nada, não temos noção de nada, e dizem que o nosso caráter é formado essencialmente até os 5 ou 7 anos de idade. Caralho, condenado pra vida, seja para o bem ou mal, por uma época que a gente nem lembra.

Beleza, agora a gente já tem o nosso DNA limpo ou não, temos o caráter definido, agora então a gente passa a entender a vida. Teoricamente vc tem DNA limpo e seu caráter é muito bom. Ai vc tem os problemas de família, sei lá, irmãos pentelhos, ou filho único solitário, ou pais que discutem, ou pais separados, a ausência daquilo ou excesso daqueloutro. Não, a vida não se resume a casa, tem o colégio, amigos do bairro, tios, avós, agregados e afins. Ta beleza, a vida é mole a gente que complica ela, mesmo quando a gente tem 10 anos de idade não é mesmo?

Ok Ok, nessa época a gente não era independente, as coisas vão melhorar quando tivermos independência... é mesmo? Agora vc é adulto, o colégio agora é o local de trabalho, deixou de ser filho para ser pai ou wanna be pai, se não quer ser pai para mim já é um problema por si só.

Agora as coisas revolvem sobre ganhar dinheiro para sobreviver rapá, fica esperto, quem sabe sustentar seus filhos, seus pais, outros familiares, sua vida. É a vida é muito simples a gente que complica, a gente devia tirar mais férias, não fazer nada por mais tempo.

A vida é simplesmente a vida, qual o sentido dela não importa, a vida não é mais difícil ou menos para qualquer pessoa. Como você já deve ter ouvido “Deus não lhe da uma cruz maior do que podes carregar”. É um alento não é mesmo? Bizarro.!!! Simples, quanto mais fraco vc for melhor a sua vida então?

- Olha Deus, eu não agüento esse tormento não... pega leve.
E Deus em sua infinita sabedoria diz:
- Ok, vc será rico, com saúde, trabalhará no que gosta e nada lhe faltará.

SUUUUUUUUUUURE.

Wake up little fella. A vida é a vida. Entender o seu significado só acabaria com a diversão. Se Deus lhe disser porque estamos aqui, porque faríamos todo o resto? Principalmente se Ele dissesse que o propósito da vida é procriar, seria bacana não?!!!

A vida não é fácil, mas não por isso você não vai ser feliz, as maiores vitórias são as mais difíceis.

Have a good one little fella, keep safe.

domingo, 11 de maio de 2008

Contos Voluptuários, Parte III (--KJ)


A primeira lembrança que tem do frio é de Campo Grande. Lembrava-se daqueles dias durante sua infância e adolescência quando alguma massa polar conseguia passar pelas planícies, por Campo Grande e por grande parte do centro-oeste. Chamavam isso de “friagem”. Quando acordava nesses dias gostava de ir até o jardim e ficar olhando a grama até que a fina camada de gelo derretesse.

Depois de deixar o apartamento de Rosa foi até um parque a menos de uma quadra de distância e sucumbiu à nostalgia que há alguns dias vinha instalando-se nas sombras dos seus pensamentos. Pensava em sua infância, na sua adolescência e em todas as decisões que deixou de tomar, em todos os sonhos que não sonhou por estar vivendo os sonhos de outras pessoas.

Era incrivelmente bom estar sozinha agora. Nunca gostou de se sentir obrigada a ter alguma postura ou a se comportar de alguma forma, mas sentiu que isso sempre aconteceu. Soube que não iria ver Rosa de novo, caso fizesse isso estaria fugindo apenas do seu casamento e não do seu antigo modo de vida.

Foi para um hotel.

O Dia (Pensamentos de Kilian)

Passa o dia e nada passa, em uma mistura de incertezas e replays a dor não me deixa, o vazio me visita e a solidão me aconchega. De conhecidos bastam meus pensamentos, sempre traiçoeiros, pregando-me peças como uma colega de trabalho, repetindo o bulling diário em pensamentos cada vez mais reais.

Não me escapa o desprezo pelos os olhos que me fitam todo dia ao espelho, o olhar cansado de uma viva não vivida, de um desespero injustificável, de uma dor diária inabalável.

Pensamentos me deixe em paz, és um mal necessário que deveria ser controlável, estais em um carro desgovernado ruma ao precipício, falta-me tudo para contornar a situação, me de idéias e não ilusão. Pare.

Misturas, pare, quero a realidade, quero meus pés ao chão, quero uma vida de peão. Não me tire da estrada da servidão, o precipício me matará enquanto a estrada me salvará, dai-me as rédeas da minha vida, acorde o passageiro, não lhe diga que voará, não há solução na ilusão, quero a servidão.

Um sonho de liberdade, de sanidade, um segundo de servidão, doce ilusão.

Pare.

domingo, 4 de maio de 2008

Millions

I’m a million things, none of which I like, maybe because I’m not happy with the present, maybe because I Just don’t try.

I’m one thing that I don’t like, I’m everything that I made myself, and nothing has made me, not even one time.

I’m something that I don’t like, I’m something that I don’t know why, it doesn’t please myself the hole time.

I’m nothing that I fell like, I’m nothing of what I dream of, Just because I never drove off.

I’m in the borderline of all things, hate and Love, all and nothing, I’m in the borderline and I don’t know where to go and try.

I’m at the end of the universe, hoping I was at the beginning Just for the sake of the mistakes of my life.

I’m in the borderline of life, heaven or hell awaits me, and I don’t know why I’m in the purgatory of my mind.

I’m lost on my own mind, trapped for my own sake, sleepwalking, waiting for the shake of the awake.

I’m a million things, I’m one thing, I’m something, I’m trapped on my mind, running in circles inside, searching for the exit sign that I don’t find.

I’m scared on the flip side, where you don’t mind when I cried that one time.

I’m here, and I don’t seam to find the way to go there, pull me up from the inside, rescue me from my own mind.

I’m not here and you don’t even try, I’m something that you don’t mind, but I’m a million things, none of which I like.