domingo, 19 de julho de 2009

Fool me twice, Shame on me.

- Meu Caro, fiz uma cagada...

- Não, não foi hoje, na verdade não é nem uma coisa só sabe. Você sabe que sempre tem aquele momento né? Aquele que agente pode se entregar, deixar-se envolver e se perder, se apaixonar, etc... Você está me entendendo? Eu sei que tem esse momento. O que fode é que eu estava distraído e daí quando fui ver já tinha passado outra vez manja?

- Na verdade não, foi faz um tempo já agora. Sim, tinha acontecido daquela vez e eu tinha meio que superado ela já. Como se não fosse o suficiente ter feito isso da primeira vez, mas aconteceu.

- É... Estou sim.

- Você sabe que eu sou um cara que me perco ás vezes não sabe? Estava com nossos camaradas conversando na boa. Você sabe que eu não faço de propósito, foi um pouco sem querer.

- Agente sempre acha que pode mais um pouco, que não tem problema e fica um pouquinho mais sentindo aquele cheirinho bom, escutando o som daquelas asas e vai se perdendo.

- Acho que começa comigo olhando para os olhos. – Eu não olho muito para os olhos das pessoas, não fixamente sabe? – Depois vou ficando sem graça e quase sempre dá para superar e me conter por isso, com isso de ficar sem graça porque a outra pessoa também fica sem graça então a coisa meio que murcha não é mesmo?

- Mas lá quando eu ficava sem graça ia falar com os piás, sempre tinha essa desculpa e além de tudo nos outros dias que voltei lá ela me cumprimentou e foi como o amanhecer de ano novo.

- Ela brilha ás vezes, eu sei que você e os piás acham que ela é meio apática, mas eu te juro que vejo isso, e nessas horas eu acho que vou dar bandeira, que vou estragar tudo.

- Estou no orelhão aqui na frente do apartamento. Não estava conseguindo dormir, foi mal te incomodar com isso outra vez.

- Bem lembrado meu velho, “Pensar nos acovarda”, foi mais ou menos isso a fala.

- Boa... Vou descansar e pensar nela. Assim acovardo-me o suficiente para não fazer nada estúpido.

- Valeu. Amanhã agente se fala no MSN. Abraço.

--KJ

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Once upon a time

Estava no teatro do Dom Bosco em Campo Grande, cerca de duas semanas antes de me mudar quando ela fez uma pergunta desconcertante ao coordenador que tentava argumentar sobre um tema polêmico na época.
Lembro-me da sensação ao olhar para a fileira logo atrás.
Como quase todos no colégio tínhamos amigos em comum e foi fácil, até natural, encontrá-la na saída conversando com um bom amigo meu. (O nome dele começava com A. Talvez fosse Arnaldo.)
Andamos pelo mesmo caminho algumas quadras descobrindo que morávamos perto, depois fui ao seu apartamento, tinha um CD do Zeca Baleiro lá, tomamos tereré com limão lá em baixo.

Conversamos.

Gostaria de me lembrar o que conversei com a garota pela qual me apaixonei poucos dias antes de mudar de cidade. Ela me disse que se sentia segura comigo.
O que sentia era tristeza.
Nesse dia eu pensei em largar tudo, em ficar em Campo Grande e talvez prestar medicina ou quem sabe psicologia, mas eu sabia que estávamos acabados. Uma pessoa não pode abandonar seus sonhos e seus planos por outra, isto seria maldoso.
Alguns anos depois eu voltei a seu apartamento nas férias e perguntei por ela, seus familiares disseram que estava em outra cidade.

O nome dela é Índila, nunca soube o resto.

sábado, 27 de junho de 2009

Uma cigarro após o outro

O sol já raiou e a conversa não acabou. A melancólica lua já deixara o céu e a música depressiva ainda tocava, e por isso a conversa continuava. Os amigos tentavam esgotar o arsenal de assuntos sem sucesso. Mulheres, jogos, filmes, músicas, piras psicodélicas, frases desconexas. Uma frase qualquer sempre levava a um encadeamento de idéias sem fim.

O resultado 1: uma noite perdida, uma tristeza intumescida, um cinzeiro cheio.

O resultado 2: uma noite vivida, uma companhia compartilhada, um cinzeiro cheio.

O resultado 3: uma noite entristecida, uma companhia infinita, um cinzeiro cheio.

O resultado 4: uma noite inconclusiva, uma companhia reafirmada, um cinzeiro cheio.

Conclusão: O cinzeiro está sempre cheio...

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Queria ir embora.

Tá muito calor pra ficar de conchinha, queria vestir minhas roupas e mandar essa mina embora... O quanto antes.
Um camarada certa vez me disse:
- Nossas camas deveriam ter botão de “Eject”!
Na hora eu só ri e achei uma notação curiosa. Agora tava meio rindo sozinho e procurando algum lugar pelo qual ela poderia ser ejetada enquanto ela falava alguma coisa que eu não tava prestando atenção... teto, janela talvez?
Não é que a garota não seja gostosa, ela é, e não ouve nada de errado, foi um ótimo sexo e mesmo se tivesse sido ruim, sexo ruim é melhor do que qualquer outra coisa, certo?
Adoro acordar garotas chupando-as, o problema é que eu durmo como um morto e sempre acordo tarde pra caralho, o que faz com que essa prática seja de difícil realização. Mas vai ser foda de dormir com essa mina aqui, mas antes dormir do que conversar mais com ela porque puta que o pariu, eu só beijei ela da primeira vez para evitar ter que escutar ela falar ainda mais.
Parece que ela está dormindo agora, como gostaria de ir embora... Que bosta que estou em casa.

--KJ

Um Almoço no Shopping

“Está decidido” – pensei 5 segundos após acordar. Eu deveria ter aprendido que decisões tomadas 5 segundos após acordar nunca são boas, mas já estava decidido. Me arrumei rapidinho, sem muitos cuidados, afinal iria almoçar no shopping e já voltar para escrever no blog, ledo engano.

Fui andando de cabeça baixa pela rua, não por falta de confiança ou baixa auto-estima, estava pensativo e meus pés pareciam precisar de atenção especial, pensei na vida, claro, como todo mundo, pensei que estava solteiro, e que bem me faria uma namorada. Pensei também no que escrever no blog, mas essa parte não é importante, a da namorada/mulher é importante.

Cheguei a praça de alimentação, e já sabia que iria comer algum tipo de sanduíche, mas vamos pular essa parte. Depois de comer, enquanto ainda terminava de tomar o meu suco, olhei uma linda mulher comendo a “famosa” saladinha. Abaixei a cabeça por um segundo, dessa vez era a auto-estima, mas foi breve o momento, logo pensei que eu deveria ir falar com ela e somente iria esperar para receber algum olhar desapercebido.

Ela me olhou por 2 segundos e foi o suficiente para tentar alguma coisa, lancei-me. Levantei da mesa resoluto, andei a passos largos, pensando ... como diz a música do The Frames... na “Perfect Opening Line”. Conclui que um simples “oi” seria um ótimo começo.

“Oi” – disse eu sorridente e segurando uma cadeira da mesa dela.

“Oi” – disse ela.

“Posso me sentar por um instante?” – Apreensivo

“Pode, claro” – disse ela

- pausa eterna – na verdade dois segundos só.

Quando abri a boca para falar, ela quebra o silêncio primeiro – “Com licença” – levanta e sai.

Voltei para casa.

Just another clusterfuck of thoughts

It past by me fast, twenty-eight years, like a blink of an eye: adulthood. Like I haven’t enjoyed life and all that melodramatic bullshit. That’s right, melodramatic bullshit, because you have to think of everything you did and or not did, sum everything up and recognize that final number is positive, it always is, don’t fight against the pure and undeniable number.


Now I fell like every time I was felling blue was for lack of perspective, was for misjudgment, but that’s melodramatic bullshit as well. It’s just life as it is, it’s just a negative number in your equation, but always remember to add those rational numbers up and accepted that your life is better than you think.

I’m giving up of felling sorry for myself, of misjudging periods of time, for now on I will accept that the equation’s result is always positive and live each day in a way to improve this result, accepting any punctual outcome life may throw at me as a deviation of the central point, as should you do as well.

domingo, 14 de junho de 2009

O Céu estava bonito Hoje

Sempre se vê algumas pessoas nas ruas da vizinhança, apesar de ser domingo apesar do frio e apesar do feriado, apesar do sol que bate do outro lado da avenida, deste lado ainda está frio. Passando pela Praça Oswaldo Cruz onde sempre alguém está correndo e até chegar ao Shopping Curitiba se cruza com algumas pessoas que trabalham, andam, conversam e mechem umas com as outras, pessoas ás vezes compenetradas, ás vezes agressivas, continuo apesar deles e logo a frente existe um cursinho onde pessoas só esperam, matam aula e o tempo onde pessoas são bonitas e novas e alegres e esperançosas. Depois disso não tem nada por um tempo, já estou distraído demais para notar e analisar e tirar conclusões. Olho para os dois lados da rua e não há ninguém, ás vezes penso ter visto, talvez alguém. Uma vez... Uma vez eu sabia para onde ir, mas não mais, agora eu continuo andando e penso na Praça do Japão que já está quase chegando, longe de casa tenho vontade de voltar, mas não posso, não estando tão perto. Também tenho vontade de olhar para o céu azul frio e isso eu posso, apenas disfarço um pouco, me sento na praça pensando que poderia ter trazido o mp3 ou um livro, quem sabe os dois. Lembro-me de alguém com a vontade de tomar café que é tão bom no frio, que é tão bom com alguém e tão bom para acordar.

Penso se ela poderia me desprezar, me esforçando tanto, para ser alguém melhor, sempre para ser alguém melhor. Então... Penso em estratégias, no que não fazer e no que está pela frente sem ter medo de tentar, de pular, de cair. Resignado cruzo os braços para aquecer as mãos, as esfrego frente à boca aquecendo-as com um bafo quente forçado e me levanto apoiando no banco, volto para casa, volto para casa um pouco melhor do que sai porque o céu estava bonito hoje.
--KJ